O Brasil precisa se livrar do fetiche pelo preço alto

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Todo mundo sabe que viajar faz bem para a alma, para o corpo, para o espírito e muitas vezes até para o bolso. Quantas pessoas não se cansam de elogiar as vantagens de fazer compras no exterior, comparadas a qualquer aventura por lojas que parecem ter perdido o senso da realidade no Brasil?

É verdade que avaliar qualquer viagem pelas vantagens para compras pode ser um exercício de irrecuperável miopia: nosso bolso deveria ser um facilitador, não um ponto de vista. Ainda mais quando estamos passeando pelo mundo.

E o que eu acredito que mais deva ser levado em conta quando se viaja, muito mais que a comparação de preços entre produtos, é a comparação de facilidades entre estilos de vida. Nesse sentido, o Brasil parece que ainda tem um bom caminho a percorrer.

Percorri uma infinidade de países, de cidades e de regiões em função do programa 50 por 1, que apresento. O que mais me impressionou nos lugares por onde passei foi como as pessoas precisam de pouco para serem felizes. Se eu pudesse traçar um grande mapa da felicidade pelo mundo, as regiões mais felizes raramente iriam coincidir com as mais ricas.

Seja na Mongólia ou em Santo Amaro da Purificação, por exemplo, as pessoas parecem cultivar uma espécie de vocação para o bem-estar que prescinde olimpicamente da capacidade de acumular patrimônio ou dinheiro. É essa vocação que o Brasil precisa incorporar.

Numa comparação simples e mais ou menos elementar, é evidente que o custo de tudo no Brasil vem assustando cada vez mais não só brasileiros, mas também ingleses, americanos, suíços, alemães e quem quer que venha nos visitar esperando algum tipo de racionalidade no que é cobrado.

Nossos preços talvez só não assustem os japoneses – que ou não se assustam com nada ou são sempre muito educados para expressar qualquer tipo de assombro.

O problema maior talvez seja que não há sentido em pagar o triplo por uma refeição num restaurante em São Paulo do que o que se paga num restaurante no East Side, por mais que todos os donos de restaurante no Brasil adorem justificar seus custos mencionando impostos, encargos trabalhistas, tributários, investimentos em mão de obra, em manutenção e na última remessa de beaujolais nouveau. O Brasil precisa aprender a nivelar tudo por cima, não por baixo.

Esse método de nivelar o modo de vida das pessoas baseado em um patamar mais saudável e um pouco menos mercenário é a grande lição que o mundo tem me ensinado. Com pouco dinheiro em Paris, é possível comer com um mínimo de qualidade, visitar um museu importante e conhecer a dinâmica de uma cidade que é civilizada o bastante para revelar seus segredos sem precisar vendê-los.

No Brasil, nós parecemos muitas vezes acometidos de um deslumbramento provinciano pelo preço alto. Não é uma atitude particularmente educada.

Por tudo isso, o que mais me fascina é justamente a possibilidade de transformar toda a riqueza das experiências que vivi pelo mundo em algo acessível para muita gente. O turismo precisa ser repensado não só porque é um setor de negócios vital para qualquer país, mas porque é uma experiência de vida essencial para qualquer pessoa.

Não é justo sobretaxar experiências: Todo mundo deveria ter o sagrado direito de, pelo menos em boa medida, ver o que eu vi, saborear o que eu saboreei e conhecer o que eu conheci. Um conjunto de experiências não precisa ser caro. Precisa ser acessível. Precisa ser possível. Precisa ser pensado.

Muita gente se lembra de que, de todas as experiências que vivi em cada episódio do 50 por 1, eu sempre acabava definindo uma delas como a experiência mais emblemática do país ou da cidade com a frase que se tornou um bordão no país todo, “Esta é a minha Itália” ou “Esta é a minha Cingapura” ou “Este é o meu Alasca”.

Não me lembro de nenhuma vez em que essa grande experiência não fosse algo perfeitamente acessível a qualquer pessoa, fosse passear de bicicleta por Nova York, visitar um comerciante humilde na periferia de Istambul ou experimentar frutas secas na Síria. No Brasil, precisamos aprender a repensar a relação entre valor e preço, ainda mais quando se trata de experiências. O valor de uma experiência importante é essencial demais para poder ser cobrado caro.

O Brasil precisa se livrar do fetiche pelo preço alto. É muito mais civilizado.

*Álvaro Garnero é apresentador e candidato a deputado federal pelo PRB São Paulo

 

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