Marcos Pereira é entrevistado por jornal de Goiás

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“Somos aliados, mas não subservientes”, disse o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira, em recente entrevista ao jornal goiano O Hoje. Entrevistado pelo jornalista Venceslau Pimentel, o republicano afirma que os ideais do partido estão acima de alianças e que a sigla saiu fortalecida nas últimas eleições.

Confira a entrevista na íntegra:

“Presidente nacional do Partido Republicano Brasileiro (PRB), o advogado e professor universitário Marcos Pereira ressalta a aliança política com a presidente Dilma Rousseff (PT), mas diz que a legenda, por uma questão de princípio, só vota favorável a projetos que venham ao encontro dos interesses da população. Para ele, a aliança não significa subserviência. Em entrevista ao O HOJE, Pereira diz que o partido, que tem apenas oito anos de criação, busca se consolidar no Brasil, agora usando como trunfo o bom desempenho do ex-candidato a prefeito de São Paulo Celso Russomanno.

Ele garante que o embate entre Russomanno e Fernando Haddad não melindrou a relação com Dilma, e anunciou que o ex-prefeitável é o virtual candidato do partido ao governo paulista. Ex-executivo do Grupo Record, quando atuou como presidente de Relações Institucionais, Pereira assegura que, hoje, não tem projeto político. O foco, diz ele, é a consolidação.

O HOJE – Presidente, quais as metas do partido neste ano, tendo em vista 2014?

Marcos Pereira –Nós estamos mobilizando os presidentes estaduais, a nossa militância, para trazer neste momento ao partido filiações, até setembro deste ano. Queremos filiações de pessoas, de lideranças, que queiram disputar as eleições em 2014, e que possam colaborar com o projeto de crescimento do partido. Nosso foco agora é trazer pessoas, lideranças que possam nos ajudar a cumprir uma meta, um objetivo que a gente tem para o ano que vem: eleger de 15 a 20 deputados federais.

O HOJE – E com relação às eleições nos Estados?

Marcos Pereira –Onde tivermos nomes competitivos, vamos lançar candidatos a governador. Eu não tenho a intenção de lançar candidato apenas por lançar. Tem de ser competitivo.

O HOJE – Onde o partido cogita lançar candidatura própria ao governo?

Marcos Pereira –Em São Paulo. O resultado da eleição municipal mostra isso, com Celso Russomanno, que ficou em terceiro lugar, com 1 milhão e 324 mil votos. No Rio de Janeiro, com o senador e ministro da Pesca, Marcelo Crivella. Em Roraima e Alagoas temos bons nomes.

O HOJE – O que fica de lição para o partido com a derrota de Celso Russomanno na disputa pela Prefeitura de São Paulo?

Marcos Pereira –A meu ver aconteceram duas coisas primordiais para que a gente não fosse para o segundo turno. Faltaram-nos fôlego financeiro e tempo de televisão. Nós perdemos as eleições nos últimos dez dias antes do pleito, que foi quando houve uma intensificação muito grande dos adversários. Outro ponto: o PT, especificamente, pegou uma linha do plano de governo do Russomanno, ideia boa, mas difícil de ser executada. Foi uma falha, realmente, da elaboração do plano de governo, que dizia que a tarifa do transporte público seria cobrada proporcional ao trecho percorrido. Eles pegaram isso, distorceram. E as pílulas na televisão desconstruíram a ideia.

O HOJE – O apoio da Igreja Universal do Reino de Deus também teria tirado votos de Russomanno?

Marcos Pereira –Pode ter tirado um pouco, mas não foi isso o fator determinante para o resultado da eleição. Ele não é da Igreja Universal. Ele é católico.

O HOJE – E as lições que a legenda tira da eleição na capital paulista?

Marcos Pereira –Eu tenho dito que os acertos nós precisamos aprimorá-los; os erros, corrigi-los. E se realmente se confirmar se Russomanno for candidato (a governador), e essa é a nossa intenção, nós vamos buscar trazer uma coligação muito maior, porque na época nós tivemos muitas dificuldades. O PTB veio na última hora. Os partidos maiores poderão se animar com o resultado do nosso partido, em São Paulo.

O HOJE – O embate em São Paulo, entre o PRB e o PT, melindrou a relação do seu partido com a presidente Dilma Rousseff?

Marcos Pereira –Não. O nosso partido compõe a base do governo federal. Eu digo que o partido já nasceu junto com o PT. José Alencar disputou o segundo mandato (de vice-presidente de Lula) já pelo PRB. Nós temos um ministério, o da Pesca, com o senador Crivella.

O HOJE – E a sigla está satisfeita com o espaço no governo?

Marcos Pereira –Acho que o espaço é condizente com o tamanho do partido. E os nossos deputados e o nosso senador votam, no Congresso Nacional, com os desejos do governo, desde que não sejam contrários aos interesses da população. Temos esses princípios. Somos aliados, mas não somos subservientes.

O HOJE – O senhor descartaria a possibilidade de o PRB compor com o PT e lançar o candidato a vice-governador?

Marcos Pereira –Não. Não é impossível.

O HOJE – Apesar do embate na campanha, PRB tem diálogo com  PT?

Marcos Pereira –Tem diálogo. Muito menos do que deveria ter. O PT de São Paulo é um pouco difícil. Já falei com a presidente Dilma, já falei com o ex-presidente Lula. Mas com ambos temos um bom diálogo. Com o pessoal paulista, em si, temos menos do que a gente deveria ter.

O HOJE – Como o PRB se posicionou em relação à eleição da nova Mesa Diretora da Câmara dos Deputados?

Marcos Pereira –Eu deixei esse assunto a cargo dos deputados. Eu não me envolvi muito porque é um assunto da Casa. Os deputados, evidentemente, vieram conversar, e eu disse que fizessem o que fosse melhor para a Casa.

O HOJE – Tradicionalmente é escolhido para dirigir os partidos alguém que detém cargo eletivo. Como se deu a escolha do senhor para presidir o PTB, não sendo parlamentar?

Marcos Pereira –Eu milito em partido desde os 18 anos de idade. O primeiro partido ao qual me filiei foi o PTdoB. Na época, eu pretendia me candidatar a vereador, mas isso não aconteceu. Depois, quando me mudei para São Paulo, há quase 14 anos, me filiei ao PSB, e fiquei lá até vir para o PRB.

O HOJE – O senhor tem projeto político pessoal?

Marcos Pereira –Todo mundo fala sobre o assunto, mas eu ainda estou avaliando. Talvez eu possa ser indicado suplente em chapa de senador. É o máximo que pode acontecer. Mas pode ser que eu dispute também. Na política, dizem que a gente não faz o que quer, faz o que precisa ser feito.

O HOJE – Como avalia projeto que tramita na Câmara que limita a criação de novos partidos?

Marcos Pereira –Quem tem de determinar o número de partidos políticos é a nossa Constituição, que prevê o pluripartidarismo. Eu acho que o pluripartidarismo é importante. O eleitor é que tem de avaliar os partidos e ir selecionando.

O HOJE – O que esperar para o futuro do PRB?

Marcos Pereira –Nós procuramos preservar o legado que nos foi deixado por José de Alencar. Quando perguntado se tinha medo da morte, disse ter medo da desonra. É nessa toada que nós estaremos focando na qualidade e não na quantidade”.

Fonte: Jornal O Hoje-GO

Foto: André Costa

 

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