Em luto pelos heróis do continente branco

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Deputado Cleber Verde foi um dos últimos parlamentares a visitar a Antártica antes da tragédia na base brasileira

 

BRASÍLIA (DF) – Integrante da última missão parlamentar brasileira à Estação Antártica Comandante Ferraz, o deputado federal Cleber Verde (PRB-MA) manifestou sua tristeza e prestou solidariedade às famílias dos militares mortos no trágico acidente que destruiu a base brasileira. “Não há como conter a comoção, ainda mais depois de ter o privilégio de conhecer a estação. Quero manifestar meu apoio as famílias de nossos heróis militares que perderam a vida no incêndio e lamentar o prejuízo que nossa comunidade científica teve com o episódio”, lembrou.

SO deputado republicano participou da visita a convite da Marinha do Brasil, na pessoa do almirante de esquadra comandante Júlio Soares de Moura Neto, acompanhado ainda de mais dois parlamentares e outras autoridades, no período de 07 a 11 de fevereiro de 2012 (na foto), 15 dias antes da tragédia.

“A presença do Brasil na Antártica não era uma mera bandeira fincada no ‘Continente Branco’, pois são 30 anos de pesquisas nas ciências físicas e geociências, que ajudam a entender, entre outras, questões relativas ao aquecimento global e às mudanças climáticas”, destacou Cleber Verde, lembrando que a Antártica é “o continente do superlativo. É o mais frio, mais seco, mais alto, mais ventoso, mais remoto, mais desconhecido e o mais preservado. Sendo o quinto em extensão, e o único sem divisão geopolítica”.

O continente Antártico e as ilhas que o cercam perfazem uma área aproximada de 14 milhões de quilômetros quadrados (1,6 vezes a área do Brasil). Cerca de 99% da superfície é coberta por gelo. Em alguns lugares, com a espessura de 4.776 m (espessura média de 1.829 m) . O local detém 90% do gelo do planeta e 70% de toda a água doce. Suas temperaturas variam entre -30°C e -65°C e a velocidade média dos ventos chegam a 70 km/h. Centrado no Pólo Sul Geográfico, é inteiramente circuncidado pelo oceano Atlântico ou Astral, cuja área, de cerca de 36 milhões km², representa, aproximadamente, 10% de todos os oceanos.

“Combinadas, as áreas de mar e terra dão a dimensão da grandiosidade e da vastidão deste continente que, indubitavelmente, constitui parte vital do planeta. É a maior área selvagem natural que resta na Terra”, destacou o parlamentar.

Cleber Verde lembrou ainda de outras características do continente. “Detendo quase toda água doce do globo terrestre, possui recursos minerais, energéticos e vivos, ainda incalculáveis, sendo ainda arquivo da história climática do planeta, regula o clima e nos afeta diretamente. O meio ambiente é único e suscetível às mudanças global, bem comum de toda a humanidade e última região totalmente preservada da Terra”.

Cleber Verde elogiou a intenção do governo de promover os investimentos necessários para que as pesquisas na Antártica sejam retomadas o mais rápido possível. Entre os fatores de importância da permanência do Brasil no continente, o parlamentar republicano destacou:

* Assegurar participação nas decisões sobre o futuro do continente;
* Desenvolver pesquisa científica de qualidade na Antártica;
* Capacidade de realizar apoio logístico a grandes distâncias;
* Operação em áreas inóspitas (região imprópria para fixação humana).

“Mais do que nunca se faz necessário manter e até aumentar os nossos investimentos nas pesquisas científicas na região. Seja pelo fato de o Brasil ser um dos países consultivos, coroado com sucesso em todos os anos da operação da base, seja pela importância deste continente. Mas, hoje, principalmente, em respeito à memória de dois brasileiros que perderam a vida, após passar tanto tempo em condições adversas para que nosso País ampliasse suas fronteiras rumo ao futuro”, concluiu o parlamentar.

Memória

No dia 1° de dezembro de 1959 foi assinado o “Tratado da Antártica”, vindo a vigorar em 1961. Pelo documento, os países que reclamam a posse do território no continente antártico passaram a se comprometer e suspender suas pretensões por período indefinido, permitindo a liberdade de exploração cientifica do continente, em regime de cooperação internacional.
O “Tratado da Antártica” é o nome dado ao conjunto de acordos internacionais envolvendo o continente, dentre os quais o próprio “Tratado da Antártica” é o mais significativo e no qual os demais são baseados. Ele compreende um número de outros acordos correlatos e, também, algumas organizações. Possui regime jurídico, que estende a outros países, além dos 12 iniciais, a possibilidade de se tornarem partes consultivas nas discussões que regem o “status” do continente quando, demonstrando o seu interesse, realizarem atividades de pesquisas cientificas substanciais.

O “Protocolo de Madri”, em 1991, designou a Antártica como uma reserva natural dedicada à paz e a ciência. Desde então, o foco de interesse no continente mudou de “como dividi-la” para “como preservá-la”. Entrou em vigor, efetivamente, no ano de 1998, substituindo e ampliando, exponencialmente, as medidas para conservação da fauna e flora, recomendando que as atividades no continente sejam dirigidas a reduzir, ao mínimo, o impacto da presença humana na região. O documento introduziu na Antártica regras rigorosas para eliminação de resíduos e medidas preventivas contra a poluição marinha.

Recomendações, medidas, decisões e resoluções geradas nas reuniões consultivas sobre o continente:

* Cooperação científica;
* Proteção do meio ambiente antártico;
* Conservação de fauna e flora;
* Preservação de sítios históricos;
* Designação e gerenciamento de áreas protegidas;
* Gerenciamento do turismo;
* Intercâmbio de informações;
* Coleta de dados meteorológicos;
* Cartografia náutica;
* Cooperação logística;
* Comunicações e segurança.

O Proantar (Programa Antártico Brasileiro), elaborado em 1982, com a colaboração de um grupo de pesquisadores, tem como um dos principais objetivos o desenvolvimento de um programa científico que constitua o fundamento da inclusão do País entre as partes consultivas do “Tratado da Antártica”. O Proantar realiza atividades cientificas todo o ano, mas, a exemplo de outros programas similares desenvolvido por outros países, é no verão que ocorre a movimentação de pesquisadores, pessoal de apoio, equipamentos e material, planejamento anual de atividades denominado Operação Antártica (OPERANTAR), com inicio de sua execução com a OPERANTAR I (1982).

A Estação Antártica “Comandante Ferraz” (EACF), sede da base brasileira no continente, recebeu este nome como uma homenagem póstuma ao capitão de fragata Luiz Antonio de Carvalho Ferraz. Maranhense, de São Luiz, que tinha formação em hidrografia e era Mestre em Ciências, com especialização em Oceanografia. Este militar representou o Brasil em diversos seminários internacionais sobre o continente antártico e foi membro da subcomissão encarregada de elaborar o projeto do Programa Antártico Brasileiro. Morreu aos 42 anos, apenas quatro meses antes da primeira expedição brasileira à Antártica.

A Comandante Ferraz (EACF) fica localizada na Península Keller, Baía do Almirantado, na ilha Rei George, com acomodações para até trinta pesquisadores, além do pessoal de apoio e de manutenção. Possui na sua área interna cinco laboratórios, um módulo de “triagem” (separação e classificação dos materiais coletados) e dois módulos denominados “aquários”, para acondicionamentos de organismos vivos para estudos/observação.

Há também, próximo à EACF, o módulo de “química”, com estufas e maquinário apropriado para a condução das pesquisas/experimentos relacionados a esta área. Também nas suas proximidades estão os módulos de “meteorologia” e “ionosfera”. Possui equipamentos para a movimentação de carga e transporte de pessoal, um heliporto e dispõe de lanchas e botes que apóiam as pesquisas.

Por Paulo Gusmão
Foto: Jessé Vieira

 

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