Séfora Mota

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“Eu não nasci pra ser adequada” – Você está diante de uma republicana forte, destemida e solidária, que nasceu em Cuiabá, mas que adotou Porto Alegre como lar há cinco anos. Sua imponente beleza é entrelaçada à competência: De ações beneficentes entre amigas e vizinhas, ela alcançou toda a capital gaúcha. Basta ela disparar a defender o valor das mulheres, a responsabilidade do poder público e o resgate social que rapidamente a admiramos. Nesta semana, a vereadora Séfora Mota nos contará um pouco de sua trajetória tanto social, quanto política no Rio Grande do Sul.

 

Entrevista

 

1. Vereadora, como surgiu na sua vida o interesse de deixar de observar a política e passar a ser agente político?

S.M. – Eu sempre tentei ajudar as pessoas de alguma forma, mas como cidadã mesmo. Eu sempre acreditei que cada um de nós tem que fazer a sua parte dentro de uma sociedade, só reclamar não basta. Na verdade, eu fui convidada a me candidatar e até me surpreendi. Eu aceitei o desafio e disse: “Vamos lá, quem sabe?”. No começo eu não queria, fiquei muito receosa porque eu penso política muito diferente. Penso que fazer política tem que ser para a melhoria de vida das pessoas, pois vemos gente muito sofrida. O meu trabalho sempre foi social, junto com o povo mesmo, pois eu moro em um Estado que possui um inverno muito rigoroso, têm ainda pessoas que vivem em extrema pobreza. E é o que tenho levado para a política, um trabalho mais voltado para o social.

 

2. E como têm sido esses primeiros meses de mandato?

S.M. – Uma correria, é tudo muito novo, é o meu primeiro mandato. Eu vou fazer cinco anos de Porto Alegre, eu não sou do Sul, sou uma cuiabana, mas está sendo bacana. Tenho visitado muito as comunidades porque gosto de tomar conhecimento da realidade de onde se vive e procurar trabalhar para aquelas pessoas. O meu gabinete é um gabinete de demandas, as pessoas me procuram o tempo inteiro, elas têm uma confiança grande e eu tenho que retribuir o voto e essa confiança que eu recebi.

 

3. Como você concilia o seu mandato com a sequência dos seus trabalhos sociais?

S.M. – Agora ficou até melhor. A gente tem que usar a política também para o social, pois dá para ampliar. O que eu conseguia fazer com as amigas, as vizinhas, hoje eu consigo até mobilizar outros parlamentares. Eles falam: “nunca pensei em fazer assim, vamos ajudar, vamos fazer juntos”. A política não pode ser pensada de maneira egoísta. Ali dentro nós temos que ser parceiros uns dos outros porque a gente precisa dessa parceria.

 

4. E quais são os projetos sociais que você destacaria?

S.M. – Eu tenho a campanha do agasalho, a campanha da arrecadação de brinquedos, a campanha de material de higiene pessoal para os abrigos de idosos. Essas são campanhas que eu já vinha fazendo com as amigas e a gente vai fazendo via gabinete. A população ajuda, eles ligam e eu mando buscar, por exemplo. Já consegui, certa vez, uma porta e janela para uma casa por meio de doação. Com a política, a gente consegue participar mais e chamar os políticos para ver essa maneira de ajudar o povo. Mas eu faço um trabalho de resgate social da pessoa, resgate da dignidade. Existem pessoas que vivem achando que não são pessoas, elas vivem em tal situação que elas não se sentem cidadãos e elas são! É por essas pessoas que eu luto para que elas tenham conhecimento de que são capazes e que elas podem ser inseridas dentro da sociedade de maneira digna, lutando por seus direitos, melhor moradia, melhores condições de trabalho, ter mais creches para as mães poderem trabalhar e se qualificar, essa é minha luta.

 

5. Quais os desafios que você tem enfrentado e quais já foram superados?

S.M. – Uma coisa que já superei, alguns ainda me criticam, mas a gente sabe que o Sul é um estado bairrista, eu não sou do Sul, eu não era conhecida, sou casada com uma pessoa conhecida. Então, durante toda campanha eu tive que explicar que a candidata era eu, que eu não era do Sul, mas que havia escolhido para terminar a minha vida, criar os meus filhos, ver os meus netos. Esse era um preconceito que eu sofria, mas já totalmente superado. É um fato pelo qual eu não tenho problema nenhum. Eu assumo e não escondo de ninguém que eu não sou gaúcha mesmo, mas Porto Alegre é a cidade que eu escolhi para viver e é a minha cidade hoje.

 

24_06_13_entrevista_rs_vereadora_séfora_motta0026. Na Câmara de Vereadores você têm um projeto que se chama Cartão Balada, você diria que é o seu principal projeto até agora?

S.M. – Sim, é o principal projeto, o Cartão Balada nasceu de uma ideia depois da tragédia de Santa Maria, na boate Kiss. Inclusive, eu estava fora do Brasil e comentei com o meu marido que, com certeza, naquele caso barraram a saída da boate. A gente sabe como é quando você tem que sair de uma casa noturna, que você deve apresentar o comprovante de pagamento. Só que esses minutos são essenciais para você sair e é em um amontoado de gente. Claro que isso não foi o principal causador daquela desgraça toda, foi um conjunto de ações e coisas erradas, de negligências, de imprudências, mas nasceu disso. E, o “cartão balada” significa o impedimento de cobranças posterior ao consumo. Neste caso, a pessoa chegaria à casa noturna, faria um cadastro, escolheria o que quer consumir e deixaria pago. São três modalidades: Ou pagar direto ao barman na hora do pedido do produto, ou a aquisição de fichas trocadas na hora do pedido, ou o cartão pré-pago em que créditos são colocados e podem ser recarregados, nesta modalidade, os créditos restantes ficam acumulados ou seriam ressarcidos.  É um projeto bacana, muito prático.

 

7. E como tem sido a aceitação deste projeto na Câmara Municipal?

S.M. – Os colegas gostaram bastante, mas existem pessoas que não querem. A maioria dos vereadores me apoia e eu acredito que aprovarão com unanimidade na Câmara. Além disso, vereadores do Paraná e de Santa Catarina já pediram o esboço do projeto para colocar na cidade deles. Para mim, uma coisa deve ficar clara para a política e para o Poder Público: A prevenção sai mais barato. Quando a pessoa vive bem, a pessoa fica menos doente, se ela come bem ela dá menos trabalho, vai ter tempo de ir ao colégio, vai frequentar melhor a aula, vai frequentar melhor o trabalho. Essa questão da prevenção sai mais barato e segurança não é gasto: Segurança é investimento.  Nós somos extremamente carentes de tudo, principalmente de segurança, e com vidas não se brinca. O sindicato levantou a questão do custo do “Cartão Balada”, mas como assim questão do custo? Por que na verdade tudo a gente paga! Então, com segurança não se brinca, é investimento e é necessário. Quantos pais estão sem os filhos? Nós não podemos tolerar mais isso. Existem vários outros projetos voltados para a questão de prevenção de incêndio e esse é mais um para agregar a questão da segurança.

 

8. Você já pode revelar outros projetos que queira apresentar ou que já foi apresentado?

S.M. – A gente quer fazer um projeto voltado para as questões da saúde, pois nós temos acompanhado e observado que o Programa Saúde da Família não está funcionando da maneira correta. Nossa maior preocupação é a saúde porque a gente vê que ela está degringolando não só em Porto Alegre, mas também no restante do País. Nós estamos estudando uma maneira de viabilizar o projeto, que se tornará em lei, pois eu quero focar na questão de sua aplicabilidade na Cidade.

 

9. Como é ser mulher onde a presença predominante é masculina?

S.M. – Mulher, bonita, feminina, vaidosa não é fácil. Eu também não sou fácil, eu me imponho, comigo é direitinho. Eu só circulo no meio de homens. Eles me chamam e me respeitam. Acredito que a gente tem que ter consciência do que é se aceitar da maneira que é. Eu gosto muito da minha maneira de ser, apesar de as pessoas acharem que eu sou muito diferente. Mas eu gosto de ser diferente, eu não nasci para ser adequada!

 

10. De que maneira você classificaria a ação política feminina na sua cidade?

S.M. – A gente sabe que infelizmente a mulher precisa entrar no sistema de cotas, mas isso está mudando. Em Porto Alegre, nessa legislatura nós temos 08 mulheres. Estamos começando a ganhar mais destaque.  É um das minhas lutas para que as mulheres se sobressaiam, que elas sejam valorizadas e vistas como mulheres capazes e atuantes. Lá no Sul, as mulheres são muito atuantes, elas são batalhadoras mesmo. Você vê que é um Estado com um grande número de divórcios por conta do machismo, pois sabemos que a nossa estrutura ainda é muito machista por causa da nossa cultura, mas isso já vem mudando. Na minha luta feminina e feminista – porque além de feminina eu sou feminista – eu trago e agrego os homens porque devemos contar com eles sim para lutar contra a violência, para empoderar mulheres e para dar mais capacidade de elas se qualificarem. Nós, mulheres, assumimos tripla jornada, nós somos multifuncionais, damos conta de fazer tudo e pensar em tudo o tempo inteiro. Eu tenho o maior orgulho de ser mulher e de defender a mulher.

 

11. Qual mensagem você deixa para os leitores do Portal PRB?

S.M- O PRB é 10, está crescendo com uma equipe engajada, política de verdade para as pessoas, feita pelas pessoas, com olhar diferenciado e eu fico muito feliz de fazer parte disso.

 

Por Jamile Reis – Comunicação Nacional do PRB

Fotos: Douglas Gomes

 

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